O Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é mais conhecido pelos sintomas de desatenção, impulsividade e hiperatividade.
Já os transtornos de compulsão alimentar, como o Transtorno de Compulsão Alimentar Periódica, envolvem episódios recorrentes de comer em excesso, geralmente acompanhados de sensação de perda de controle e culpa.
O que muitas pessoas não sabem é que esses dois quadros podem estar diretamente relacionados. Neste post, vamos entender essa conexão, os sinais de alerta e quais são as formas de tratamento mais eficazes.
O que é compulsão alimentar?
A compulsão alimentar acontece quando a pessoa come em excesso em um curto período de tempo, com a sensação de que perdeu o controle sobre a própria alimentação.
Ao contrário de um simples exagero em uma refeição, a compulsão costuma ser acompanhada por culpa, desconforto físico e sofrimento emocional.
Dentro do espectro dos transtornos alimentares relacionados à compulsão, podemos destacar:
- Transtorno de Compulsão Alimentar Periódica (TCAP): caracterizado por episódios recorrentes de compulsão, sem comportamentos compensatórios (como vômitos ou uso de laxantes). É hoje um dos transtornos alimentares mais comuns.
- Bulimia nervosa: envolve episódios de compulsão seguidos de comportamentos compensatórios, como indução de vômitos, jejuns prolongados ou uso de laxantes, para evitar o ganho de peso.
- síndrome do comer noturno: caracterizada por episódios de ingestão alimentar significativa durante a noite, muitas vezes acompanhada de insônia e humor deprimido.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), transtornos alimentares estão entre os problemas de saúde mental mais graves, pois podem comprometer a saúde física e emocional de forma intensa.
Por que o TDAH pode aumentar o risco de compulsão alimentar?
Estudos mostram que pessoas com TDAH têm até três vezes mais chances de desenvolver transtornos alimentares, em especial a compulsão alimentar.
Alguns fatores que ajudam a explicar essa relação são:
- Impulsividade: pessoas com TDAH tendem a ter mais dificuldade em controlar impulsos, o que pode levar a episódios de comer sem planejamento ou em grandes quantidades.
- Desregulação emocional: a comida pode ser usada como uma forma de lidar com ansiedade, estresse ou frustrações.
- Sistema de recompensa do cérebro: tanto no TDAH quanto na compulsão alimentar, existe uma alteração na forma como o cérebro reage a estímulos prazerosos, como a comida.
- Rotina desorganizada: pessoas com TDAH muitas vezes esquecem de comer ou ficam tanto tempo em uma atividade que deixam a fome acumular, aumentando o risco de compulsão depois.
Sinais de que a compulsão alimentar pode estar associada ao TDAH
Nem sempre é fácil perceber quando a relação com a comida deixou de ser saudável. Alguns sinais comuns incluem:
- Comer muito rápido e em grande quantidade;
- Sentimento de perda de controle durante a alimentação;
- Culpa ou arrependimento após comer;
- Dificuldade em manter horários ou rotina alimentar;
- Uso da comida para lidar com ansiedade, tristeza ou tédio.
Se esses sinais aparecem com frequência em alguém que já tem diagnóstico de TDAH, vale a pena investigar a possibilidade de um transtorno alimentar associado.
Como tratar os dois quadros juntos
O tratamento deve ser integrado, considerando tanto o TDAH quanto a compulsão alimentar. Entre as opções, estão:
1. Medicação
Um psiquiatra pode ajudar com a medicação correta, caso seja necessário, para ajudar no tratamento.
2. Psicoterapia
A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) é bastante eficaz, pois ajuda a trabalhar o controle dos impulsos, o manejo das emoções e a criação de estratégias para uma alimentação mais equilibrada.
3. Estratégias práticas do dia a dia
- Usar alarmes ou lembretes para horários de refeição;
- Planejar e simplificar as compras e refeições da semana;
- Evitar longos períodos em jejum;
- Manter alimentos mais saudáveis por perto para quando surgir a fome repentina;
- Trabalhar a consciência alimentar, prestando atenção ao ato de comer.
Como vimos neste texto, o TDAH e os transtornos de compulsão alimentar têm muito mais em comum do que parece. Quando aparecem juntos, podem impactar bastante a saúde física e mental.
Mas é importante lembrar que há tratamento e que, com acompanhamento médico, psicoterapia e pequenas adaptações no dia a dia, é possível retomar o equilíbrio.
Se você ou alguém próximo vive essa situação, agende uma consulta com a Dra. Jaqueline Bifano e receba um acompanhamento especializado em psiquiatria infantil e adulta.







