Tomar decisões pode parecer uma tarefa simples para a maioria das pessoas. Mas, para quem tem Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), escolher entre duas ou mais opções pode ser uma fonte real de sofrimento.
Desde decisões pequenas, como o que vestir, até escolhas importantes da vida pessoal ou profissional, o processo pode se tornar confuso, cansativo e até paralisante.
Neste texto, vamos explicar por que o TDAH está ligado à indecisão e o que pode ajudar no dia a dia.
O cérebro do TDAH e a tomada de decisão
O TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento que afeta o funcionamento de áreas do cérebro responsáveis por atenção, planejamento, organização, controle de impulsos e regulação emocional — especialmente o córtex pré-frontal.
É nessa região que tomamos decisões com base em prioridades, consequências, lógica e objetivos. Quando ela não funciona de forma eficiente, a pessoa com TDAH pode:
- Sentir-se confusa diante de muitas opções
- Ter dificuldade em organizar pensamentos e prever resultados
- Demorar muito para escolher ou tomar decisões impulsivamente
- Sentir culpa ou arrependimento após decidir
Esse bloqueio mental pode gerar ansiedade, procrastinação e frustração, o que alimenta um ciclo de baixa autoestima.
Medo de errar e sobrecarga emocional
Outro fator comum no TDAH é a hipersensibilidade emocional. A pessoa pode sentir uma pressão interna muito grande para “acertar sempre”, o que torna o ato de escolher mais pesado do que deveria ser.
Esse medo de errar, somado à dificuldade de priorizar, pode gerar o que chamamos de paralisia decisória — um estado em que a pessoa simplesmente trava, mesmo sabendo que precisa agir.
Como lidar com a indecisão no TDAH?
Algumas estratégias podem ajudar:
- Reduzir o número de opções: quanto menos alternativas, mais fácil decidir.
- Usar listas ou esquemas visuais para comparar prós e contras.
- Estabelecer prazos realistas para decidir — tempo demais também atrapalha.
- Pedir ajuda a alguém de confiança, especialmente em decisões mais complexas.
- Praticar a autocompaixão: nenhuma escolha é perfeita, e tudo bem errar.
- Buscar acompanhamento profissional, que pode envolver psicoterapia, coaching ou medicação, quando indicado.
A dificuldade em tomar decisões não é frescura, preguiça ou falta de interesse. No TDAH, ela tem base neurológica e precisa ser acolhida com compreensão. Felizmente, existem caminhos para melhorar esse processo e recuperar o equilíbrio no dia a dia.
A Dra. Jaqueline Bifano, médica psiquiatra, oferece acompanhamento especializado para crianças, adolescentes e adultos com TDAH, ajudando cada paciente a entender melhor seu funcionamento e encontrar estratégias que funcionam de verdade.
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