Crises de choro, agitação intensa, gritos ou isolamento repentino fazem parte da realidade de muitas famílias de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Esses momentos, também conhecidos como meltdowns, não são birra nem falta de limites. Eles representam uma resposta do corpo e do cérebro a uma sobrecarga emocional ou sensorial.
Neste post, vamos explicar por que as crises acontecem no autismo e como os exercícios de respiração podem ser uma ferramenta simples e eficaz para ajudar a acalmar, regular o corpo e restaurar o equilíbrio emocional.
Por que acontecem as crises no autismo
Pessoas autistas costumam ter maior sensibilidade a estímulos como barulho, luz, toque, mudanças inesperadas ou demandas sociais excessivas. Quando essa sobrecarga ultrapassa a capacidade de autorregulação, o organismo entra em estado de alerta.
O DSM-5 destaca que dificuldades na regulação emocional e sensorial fazem parte do funcionamento do autismo, especialmente em contextos imprevisíveis ou com excesso de estímulos.
Durante a crise, o cérebro entra em modo de sobrevivência. Nesse momento, não é eficaz exigir explicações, diálogo ou controle racional. O foco deve ser a contenção emocional e a sensação de segurança.
A relação entre respiração e sistema nervoso
A respiração está diretamente ligada ao sistema nervoso autônomo, responsável por regular os estados de alerta e relaxamento do corpo.
Respirações curtas e aceleradas mantêm o corpo em estado de estresse. Já a respiração lenta e profunda ativa o sistema parassimpático, responsável por promover calma, desaceleração e sensação de segurança.
Por isso, os exercícios respiratórios podem ajudar a reduzir a intensidade da crise e facilitar o retorno ao equilíbrio emocional.
Como os exercícios de respiração ajudam durante a crise
A respiração consciente pode contribuir para:
- Redução da ativação fisiológica do estresse
- Diminuição da intensidade e da duração da crise
- Maior sensação de controle corporal
- Retorno gradual à calma
- Prevenção do prolongamento do episódio
É importante reforçar que a respiração não impede todas as crises, mas pode ser uma estratégia eficaz quando ensinada e praticada de forma consistente.
Exercícios de respiração simples para o dia a dia
Os exercícios devem ser apresentados fora do momento de crise, em situações de tranquilidade, para que a criança ou adolescente consiga utilizá-los quando necessário.
Respiração 4–4
Inspire pelo nariz contando até quatro.
Segure o ar por quatro segundos.
Expire lentamente pela boca.
Respiração com imagem guiada
Utilize imagens simples, como encher um balão ou observar ondas do mar. A inspiração representa o “encher” e a expiração o “esvaziar”.
Respiração com apoio visual
Passe o dedo pelos dedos da outra mão:
Ao subir o dedo, inspire.
Ao descer, expire.
Essa técnica associa respiração e atenção visual, facilitando a regulação emocional.
Quando buscar ajuda profissional
Se as crises forem muito frequentes, intensas ou estiverem prejudicando a rotina familiar, escolar ou social, é fundamental procurar um psiquiatra especializado em autismo.
O acompanhamento profissional permite:
- Identificar gatilhos das crises
- Ajustar rotinas e ambientes
- Orientar a família
- Avaliar a necessidade de outras intervenções terapêuticas
As crises no autismo não são falta de controle, mas sinais claros de que o corpo chegou ao limite.
Os exercícios de respiração são ferramentas simples, acessíveis e eficazes para apoiar a regulação emocional, promover segurança e reduzir o sofrimento nesses momentos.
Com prática, paciência e acolhimento, é possível transformar situações difíceis em oportunidades de cuidado e fortalecimento do vínculo.
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