Quando se fala em TDAH na infância, muitas pessoas imaginam uma criança agitada, que se levanta durante a aula, interrompe conversas e não consegue permanecer quieta. Entretanto, nem sempre o transtorno se manifesta dessa maneira.
Em algumas meninas, os sinais são mais discretos. Elas podem parecer quietas, sonhadoras ou apenas desorganizadas. Como não costumam perturbar a sala de aula, suas dificuldades podem permanecer sem identificação por muitos anos.
Por que o TDAH em meninas pode ser menos percebido?
O TDAH pode envolver desatenção, hiperatividade e impulsividade, mas a intensidade de cada característica varia.
O DSM-5, Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais utilizado por profissionais da saúde para orientar a identificação dos transtornos mentais, informa que meninas e mulheres apresentam com maior frequência características predominantemente desatentas quando comparadas a meninos e homens.
A desatenção nem sempre chama a atenção dos adultos. Uma menina pode permanecer sentada durante a aula, mas estar distraída, pensando em outros assuntos ou com dificuldade para acompanhar as explicações.
Como seu comportamento não é considerado perturbador, é comum que receba apenas rótulos como “distraída”, “esquecida”, “preguiçosa” ou “vive no mundo da lua”.
Quais sinais podem aparecer?

Alguns sinais possíveis de TDAH em meninas são:
- Esquecer materiais, compromissos e instruções.
- Demorar para começar ou concluir tarefas.
- Perder objetos com frequência.
- Distrair-se durante conversas ou explicações.
- Apresentar dificuldade para organizar a mochila e os estudos.
- Cometer erros por falta de atenção.
- Ter dificuldade para administrar o tempo.
- Sentir-se constantemente sobrecarregada.
- Falar muito ou interromper quando se sente à vontade.
- Apresentar inquietação interna, mesmo sem agitação evidente.
Algumas meninas também desenvolvem estratégias para esconder suas dificuldades. Elas podem copiar a organização das colegas, estudar por muitas horas ou depender constantemente da supervisão dos pais.
Boas notas não descartam o transtorno. Em alguns casos, o desempenho escolar é mantido por meio de grande esforço, ansiedade e medo de falhar.
Como os sintomas afetam as emoções?
As dificuldades de atenção e organização podem ser interpretadas como falta de esforço. Depois de ouvir repetidamente que deveria prestar mais atenção ou se dedicar mais, a menina pode desenvolver baixa autoestima.
Também podem aparecer vergonha, ansiedade, perfeccionismo e medo de decepcionar. Algumas crianças evitam pedir ajuda porque acreditam que deveriam conseguir realizar tudo sozinhas.
Na adolescência, o aumento das responsabilidades pode tornar os sinais mais visíveis. Organizar várias disciplinas, cumprir prazos e administrar relações sociais exige maior autonomia. As estratégias que funcionavam na infância podem deixar de ser suficientes.
Nem toda distração significa TDAH
Distração, esquecimento e desorganização também podem aparecer em períodos de estresse, privação de sono, ansiedade, depressão, dificuldades de aprendizagem e outras condições.
Para investigar o TDAH, é necessário verificar se os sintomas começaram durante o desenvolvimento, aparecem em mais de um ambiente e causam prejuízos reais. O diagnóstico não deve ser baseado em um único comportamento ou apenas no relato escolar.
A avaliação pode incluir conversas com a criança, os responsáveis e os professores, além da análise do histórico de desenvolvimento e do funcionamento emocional.
Se você percebe sinais de TDAH em sua filha, agende uma consulta com a Dra. Jaqueline Bifano. Uma avaliação individualizada pode ajudar a compreender o que está acontecendo e indicar os cuidados mais adequados.





